As primeiras chuvas

As primeiras chuvas

Abril marca o final da época quente no Sudoeste Asiático. Quer isto dizer que, Abril é quente, muito, muito quente. E húmido, apesar de já não chover há mais de cinco meses. O comentário normal é: mas estás habituada ao calor do Alentejo, lá também fica tipo deserto, certo? Certo. Mas a sensação que nos traz é totalmente diferente. No Alentejo, o calor é seco e oscilante. É um calor que cresce com o dia e que se acalma com a brisa da noite. Por aqui, não há amplitude térmica. É um calor que varia entre o “que forno!” e o “estou a derreter!”, de dia e de noite. Como não chove, o sol desaparece do céu. Há uma espécie de manto no ar, de cor creme-alaranjado provocado pelas poeiras que andam no ar. Para nos protegermos tentamos de tudo, fechamo-nos em casa, ligamos o ar condicionado, bebemos litros de água e, como bons alentejanos, fazemos muitas sestas. Até porque o calor não nos permite fazer mais nada. O cérebro fica adormecido, irritadiço, do tipo “não me incomodes que agora estou a sonhar que estou nas fiji.”.
É por isso que, ao contrário do que acontece em muitos lugares do mundo, como o lugar do lado de lá onde está o monte, quando por aqui caem as primeiras chuvas, o momento é de celebração! De alegria. De repente, parece que tudo é possível. Apetece estar, finalmente, na rua. A temperatura baixou, o azul do céu voltou, as árvores estão mais verdes, os sapos cantam, os frangipanis estão em flor, as pessoas estão bem-dispostas e as borboletas andam de flor em flor. E se apanharmos um bocadinho de chuva pelo caminho, não faz mal, logo há-de secar.

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Uma coisa muito importante chamada Liberdade

Uma coisa muito importante chamada Liberdade

Quando era pequenina, muito pequenina, vivi numa casa também muito pequenina a que chamava a “Casa das Bonecas”. O meu quarto nessa casa, era também muito pequenino, mas lá tinha vivido antes de mim, uma pessoa muito muito grande, o meu pai. Ora, o meu pai tinha forrado a porta do quarto a autocolantes. Centenas de autocolantes, de todas as cores e muitas palavras complicadas para gente pequenina. Mas esta imagem marcava muitos deles, uma criança, uma arma e um cravo. O meu pai que era muito grande dizia que todos eles falavam de uma coisa muito importante chamada Liberdade.
Feliz 25 de Abril para todos.

24 de Abril Sempre!

24 de Abril Sempre!

Hoje é aquele dia, o teu dia. 33 anos farias tu. Em vez disso, é também o dia em que faz dez anos que vimos o fogo de artificio pela última vez. Que estupidez. Ficam para sempre as memórias de 23 anos recheados de uma energia única que marcou para sempre cada uma das pessoas com que te cruzaste. Este ano há uma energia diferente cá em casa, dois irmãos cúmplices enchem a casa de loucura, como nós fizemos em tempos. Era bom que estivéssemos todos juntos para os recordar, para te recordar. Tens uns sobrinhos lindos que vão saber que têm um tio que se chama Nuno e que vai ser PuTo para sempre. Fazes-me falta. Mil beijos de Parabéns.

E tudo começa aqui…

Este é um blog sobre coisas, coisas minhas, coisas que vejo, coisas que sinto. É um blog sobre mim, sobre a forma como vejo e sinto o mundo.

Muitas vezes sinto que não consigo dizer, em palavras, aquilo que me vai cá dentro e por isso, passo muito tempo, a imaginar aquilo que diria ou deveria ter dito, aquilo que escreveria se, em vez de estar ao volante do carro, a brincar com os pequenos ou a tomar duche, estivesse de facto a dizer ou a passar para o papel tudo o que a minha cabecinha fazedora de ideias consegue produzir. Conforme a inspiração e o momento, nestas alturas podem surgir histórias infantis, ideias de fantásticos projectos profissionais, metas pessoais, sonhos (muitos), memórias de menina e recordações do que ficou entre o ir e o voltar.

Já tinha há que tempos esta ideia na minha mente. O problema até aqui é que tenho dois problemas. Primeiro, uma memória de passarinho, um segundo de distracção e puff, lá vai tudo pelo ar. E, por isso, há muito, muito tempo que tinha esta ideia de começar a escrever, a registar o que vejo, o que ouço, o que sinto e o que desejo. O segundo problema, é que sou uma procrastinadora nata, e cada vez melhor na dita cuja, ao ponto de se estar a tornar intolerável (pelo menos para mim). Daí a andar a adiar, a adiar, a adiar… E tanta coisa que ficou pelo caminho. Até que hoje li uma daqueles artigos com ar de resolução de ano novo e pensei: é hoje! De hoje não passa! Não demorou dois minutos a começar (como dizia o tal artigo), mas a primeira pedra está lançada. Agora é assumir o compromisso de sentar, escrever e publicar, nem que seja uma linha, uma foto ou uma música.

Se por acaso, tropeçarem nestas linhas, sejam bem-vindos à minha história. Se gostarem, fiquem por cá e digam olá.

A menina do monte.