As primeiras chuvas

As primeiras chuvas

Abril marca o final da época quente no Sudoeste Asiático. Quer isto dizer que, Abril é quente, muito, muito quente. E húmido, apesar de já não chover há mais de cinco meses. O comentário normal é: mas estás habituada ao calor do Alentejo, lá também fica tipo deserto, certo? Certo. Mas a sensação que nos traz é totalmente diferente. No Alentejo, o calor é seco e oscilante. É um calor que cresce com o dia e que se acalma com a brisa da noite. Por aqui, não há amplitude térmica. É um calor que varia entre o “que forno!” e o “estou a derreter!”, de dia e de noite. Como não chove, o sol desaparece do céu. Há uma espécie de manto no ar, de cor creme-alaranjado provocado pelas poeiras que andam no ar. Para nos protegermos tentamos de tudo, fechamo-nos em casa, ligamos o ar condicionado, bebemos litros de água e, como bons alentejanos, fazemos muitas sestas. Até porque o calor não nos permite fazer mais nada. O cérebro fica adormecido, irritadiço, do tipo “não me incomodes que agora estou a sonhar que estou nas fiji.”.
É por isso que, ao contrário do que acontece em muitos lugares do mundo, como o lugar do lado de lá onde está o monte, quando por aqui caem as primeiras chuvas, o momento é de celebração! De alegria. De repente, parece que tudo é possível. Apetece estar, finalmente, na rua. A temperatura baixou, o azul do céu voltou, as árvores estão mais verdes, os sapos cantam, os frangipanis estão em flor, as pessoas estão bem-dispostas e as borboletas andam de flor em flor. E se apanharmos um bocadinho de chuva pelo caminho, não faz mal, logo há-de secar.

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