Pó de Chocapic

 

Conversa de hoje de manhã.

Eu – Que queres comer?
Carol – Chocapic
Eu – Pois, isso não pode ser, são pouquinhos, temos que ir às compras.
Carol – Há sim, há o pó. Podemos fazer chocapic com o pó. (Pó – Aquele resíduo de cereais que fica no fundo do pacote)
Eu – Ó filha, não podemos nada, temos que ir comprar.
Carol – Mas porque é que vocês NUNCA confiam em mim!!! Eu sei que dá. Eu já fiz com os Unicórnios!
Eu – Ok, Se já fizeste com os unicórnios, estás à vontade! Bom apetite!

Eu – Então? Está bom?
Carol – Sim, estás a ver, o leite ficou castanho e ficaram uns bocados maiores. Se tivesse esperado para crescer (como no pão) tinha ficado mesmo com a forma dos chocapic.

Ok… E assim se começa o dia. O primeiro de quatro dias de fim-de-semana prolongado. (Suspiro!)

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É Natal, É Natal!!! E ainda só estamos em Maio.

 

Hoje foi dia de ir aos correios levantar a tão aguardada encomenda! Só por si, isto já era um acontecimento fantástico. Mas há todo um conjunto de variáveis que o tornam ainda mais emocionante.
Em primeiro lugar, o simples facto da encomenda ter chegado já é digno de celebração. Ter chegado em apenas 8 dias dá direito a abrir uma garrafa de champagne! Isto porque até agora a experiência com encomendas internacionais foi sempre, digamos, peculiar. Passo a explicar…
Quando o Nelson estava em Angola, consegui que uma pessoa conhecida da família enviasse uns pequenos mimos de Natal por mala diplomática. Coisa pouca: um bacalhau, uns enchidos, mel, um vinho decente, uns livros, uns cabos… ah! e uma garrafa de vodka moldava que a Alexandra da minha mãe tão carinhosamente ofereceu para o Sr. Nelson. Como ele foi passar o Natal para a montanha, sem rede, esqueci-me de perguntar se tinha recebido as coisas. Algum tempo mais tarde, finalmente lembrei-me de perguntar e a resposta foi: “Sim, recebi! (e gostaste?) Sim.” Confesso que contava com mais entusiasmo, mas está bem, assim ficou. Passado algum tempo, descubro finalmente o motivo para tal. Parece que, durante o processo, a mala de viagem cheia de prendinhas (embrulhadas e tudo!) se transformou num saco de plástico com uma garrafa de vodka aberta e um livro! Imagino o que ele deve ter pensado…
Para Timor, enviei várias encomendas. Era barato e diziam (diziam…) que demorava só dez dias. Cerca de um mês antes do Natal decidi enviar uma daquelas caixas térmicas de esferovite mais uma vez cheia de produtos típicos. Quando me meti no avião rumo à terra do sol nascente decidi, pelo sim, pelo não, levar o jantar da consoada comigo na mala de viagem. Toda eu tremia cada vez que passava no raio-x com receio que me perguntassem o que eram aqueles rectângulos embrulhados em prata. Bacalhau, Sr! Bacalhau! Pensava eu. Mas ninguém perguntou. E ainda bem, porque a encomenda só chegou bem mais tarde e já bem bolorenta por sinal.
No Cambodja, as opiniões sobre os serviços de correios eram divergentes. Não chega. Nunca tive problemas. Chega uma em cada quatro… Como era caro e não tínhamos grande necessidade, a nossa experiência limitou-se ao eventual envio de postais. Contudo, quando saímos do país, apesar de tudo o que demos e vendemos, apesar dos 120kgs que trouxemos connosco e da tralha que deixámos para trás à última da hora porque as malas já não fechavam, decidimos fazer uma experiência. Enchemos uma caixa com 8 kgs de fotografias (acreditem, 8 kgs é muita fotografia!). Como tínhamos os negativos e a maior parte até estavam digitalizados, o risco, caso a encomenda se perdesse, não seria grande. Passou-se um mês, dois meses, três meses… até que descobrimos que ela estava de novo no Cambodja! Pedimos a uma amiga que a fosse levantar. A caixa estava em péssimo estado depois de ter viajado por sítios como a Tailândia, Hong Kong, França e Canadá, mas as fotografias estavam intactas.
Ora, estas peripécias poderiam levar-nos a pensar que o melhor seria deixar os correios internacionais em paz, especialmente, quando envolvem viagens intercontinentais. Sim, seria a atitude mais sensata. Pois. Mas, e o que fazer desta menina que, resolvendo encher as malas de roupa e traquitanas de bebé e criança, se esqueceu de trazer roupa e traquitanas para a própria? E, se toda a gente diz que os correios funcionam e que recebem tudo o que encomendam, nós ficamos aqui sem experimentar? Nem parecia bem. E lá convencemos a família a gastar uma pipa de massa para nos fazer cá chegar 3 quilinhos de mimos, sem ter a certeza se, de facto, cá chegariam ou não! Mas chegaram! Mesmo! Iupi!

Nota: Este texto foi escrito antes de ir experimentar a roupa, não fosse dar-se o caso da dita não servir e ficar subitamente de mau-humor!

Ser mãe e os momentos embaraçosos

 

Ser mãe é bom, é mesmo muito bom. Diria ainda que é muito, muito melhor do que alguma vez imaginei que poderia ser. Não sendo uma daquelas mães super babadíssimas que não fala de outra coisa senão sobre os filhos, diria que sou uma mãe babosa q.b.! Todos os dias aprendo e cresço com eles, surpreendo-me com as suas palavras novas, as suas conquistas e com a sua capacidade imensa de adaptação. Tenho um orgulho imenso de ser mãe destes dois seres fantásticos que são os meus filhos e não me canso de lhes dizer o quão fantásticos eles são. Vá lá, pronto, talvez seja um bocadinho mais babada do que pensava. Mas, depois há aqueles momentos… aqueles momentos em que gostávamos de voltar ao tempo em que eramos só nós que mandávamos nos nossos dias (sim, desenganem-se, são eles que controlam a nossa vida e não o contrário!). Ou, no caso de não haver essa hipótese de viajar no tempo, houvesse, pelo menos, um buraquinho por onde nos enfiávamos e conseguíamos sair da situação, o mais discretamente possível! Toda a gente já teve um desses momentos embaraçosos… Quem não teve que lidar com uma mega birra em que desejou desaparecer ou gritar aos quatro ventos “este filho não é meu!”? Ou quem não foi já apanhado num momento mais ou menos desconfortável pela total ausência de filtro da criança, tipo “mãe, preciso fazer cocó!!!” gritado em altos berros num avião cheio de portugueses e em plena descolagem? Ah… pois é! Ficava aqui o dia todo! Mas podemos ficar-nos só pelo mais recente, o desta manhã.
Depois de deixar a Carolina na escola, fui com o Gabriel, a um café japonês, chamado “My little house”. Simples, tranquilo e com um café óptimo, moído e torrado no local, é um dos meus sítios preferidos em Vientiane. Quando chegámos, ele dormia. E assim ficou enquanto bebi o café. Depois acordou, mamou e ali ficámos na brincadeira. Até que esta mãe se lembra de brincar ao bebé-avião. Há algum bebé que não delire com o ser levantado e ficar a planar por cima da cabeça dos pais? Nenhum, claro! E tudo corria bem, eu levantava-o, ele gargalhava e as senhoras atrás do balcão riam baixinho. Até que… de repente deixo de ver! E a minha blusa fica subitamente molhada. Sim, de um momento para o outro, os meus óculos e a minha roupa ficaram cobertos com restos de leite processado do Gabriel. E agora?! Pego na fralda e tento limpar. Impossível. Olho em volta… à boa maneira asiática, toda a gente desapareceu. Apenas uma empregada continua a fazer café como se não se passasse nada. Corro para a casa-de-banho, tento lavar a roupa. Fico ensopada. Meto a fralda por cima. Volto para o sofá, sorrio, bebo água, tento continuar como se não fosse nada. Espero que não apareça ninguém conhecido, penso… Volto ao computador, ele volta à brincadeira. Mas e o cheiro… Não havia nada a fazer e lá voltámos para casa, ele novamente a dormir e eu ficando cada vez mais calma. E a pensar que, ninguém nos diz, mas ser mãe também é querer ser uma avestruz e poder enfiar a cabeça da areia, só assim de vez em quando.

O “Dia Feliz da Mãe”

Este fim-de-semana foi dedicado ao “Dia Feliz da Mãe”, como lhe chamou a Carolina. E foi pela primeira vez uma comemoração a quatro. Eu, o pestanudo mor, a filhota e o mano (um dia hei-de falar sobre esta filha que é filha e este filho que é mano!).
E que bem que soube este Dia Feliz com sabor a Família Feliz. Porque nem sempre é fácil ter dias felizes e, por vezes, mesmo nas famílias mais fantásticas, há alturas de desequilíbrios e de desencontros. E este foi um ano particularmente turbulento, marcado por rupturas, mudanças e aprendizagens, de ilusões e desilusões, de algumas perdas e tristezas, mas também muitas alegrias e vitórias.
Por isso, este fim-de-semana do “Dia Feliz da Mãe” soube a vitória e soube a reencontro. A reencontro entre quatro pessoas de uma mesma família que, não sabendo viver umas sem as outras, andavam um pouco desencontradas. Assim, tipo, cada uma em seu país. E ainda bem. Porque viver desencontrado cansa muito. E desgasta, torna-nos rabugentos. Tira-nos daquilo que é importante. E o importante é saber rir. E saber fazer rir. E saber saborear esses momentos em família. E que bem que sabe esta família. Que bem que sabem estes filhos. Que bom que é cheirá-los e amassá-los de beijos. E senti-los felizes. E vê-los crescer. E que bom que é fazer isso tudo em conjunto. Porque só assim faz sentido.
E que bom que é chegar a casa depois de um fim-de-semana assim e poder skypar com a restante família e encontra-los igualmente felizes e reunidos do outro lado de lá. Porque ser família é assim, é estar junto estando longe, é voltar a subir, depois de cair, é reclamar e sorrir logo a seguir. É deixar andar. É gargalhar. Alto. E sem sentido. Em equipa. Porque, só assim, faz sentido.
Dia Feliz da Mãe para todas as mães.