A filha missão

Carolina queres ir passear?… Não posso, estou num missão.

Carolina podes vir ajudar-me?… Agora não posso, estou numa missão.

Carolina que andas a fazer?… Estou numa missão.

Sempre foi assim. Desde menina pequenina. Estávamos ainda no Monte e lá ia ela… Em missão vou só ali tratar das galinhas. Ou em missão vou ali plantar uns sobreiros com a avó Mena. Ou em missão estou só aqui a fazer uns laçarotes para a nOa que ela gosta mesmo muito. Ou em missão um bocadinho de giz de cor neste chão de ardósia é que era bom. Ou em missão vou aprender ballet porque os unicórnios convidaram-me para participar no espectáculo de dança que eles estão a organizar. Ou em missão tenho tantas ideias na minha cabeça e estão sempre a incomodar-me para ir fazer outras coisas!

Era assim que se passava e ainda assim é. Sempre em missão e sempre a queixar-se da falta de tempo. E de missão em missão lá vai ela aprendendo, experimentando e crescendo. E uma missão leva a outra e a outra e a outra. Assim como se fosse um daqueles jogos que jogávamos no Juventude, onde tínhamos que ir de nível em nível enfrentando obstáculos e acumulando vitórias até chegar ao boss final para então passar para a ilha seguinte. Ou pelo menos foi mais ou menos isto que imaginei quando esta semana ela anunciou que estava muito ocupada para sair porque estava a escrever um livro.

Senão vejamos… Para que a missão estou aqui ocupada a escrever um livro se concretize há que primeiro passar pela missão só mais uma história, vá lá, vá lá, vá lá! Essa e outras importantíssimas onde nos perdemos dentro das histórias, das músicas, dos espectáculos e se aprende a saborear os livros e as letras.

Concluída esta ilha, passámos à missão seguinte: do aprender a ler e a escrever o som das letras. Missão complicada esta! É que além de ainda não estar muito para ai virada quando começou, teve que aprender em Francês, com letras que às vezes estão lá, mas não se ouvem e outras letras que umas vez soam assim e outras assado. Não satisfeita, decidiu embarcar na missão os meninos devem aprender na sua língua… e ensinar-se a si mesma a aprender a ler a escrever em Português. Pronto. Já lá vão pelo menos mais duas ilhas! E o big boss final foi escrever o seu primeiro livro. E em Português ainda por cima! (Leia-se aqui: a mãe está a rebentar de orgulho!)

Ora, para se escrever diz que é preciso um tema. Normalmente, um tema de que se gosta. Que nos dê prazer falar, sonhar, ler, partilhar… Certo? Certo. Ora, estamos a falar da Carolina. E se há uma missão onde ela é, claramente, a Big Boss é na missão eu adoro todos os animais do mundo e quando for grande quero ser tratadora de animais e viver no meio deles e dar-lhes muita comida e fazer muitas festinhas. Por isso, este livro que foi escrito primeiro em Português e depois em Francês só podia ser dedicado a eles.

Carolina e o seu livro 3

O bom deste jogo é que, ao contrário das máquinas de jogo do Juventude que chegavam ao fim ou davam a volta como dizíamos, este jogo não acaba nunca… há sempre um novo nível, uma nova ilha, uma nova missão a superar. E eu cá estarei para me deliciar com esta Filha Missão e com todas as suas novas aventuras. (inserir emoji sorridente e cheio de baba!)