Fomos ali respirar…

Então, que tal de Moçambique? Estão a adaptar-se bem? Perguntam todos. 

Sim. Tem sido até bem mais rápido do que imaginámos. Já estamos instalados. Os miúdos estão óptimos e isso é que importa. Respondemos nós. E por aí ficamos. Quase sempre.

E não estamos a mentir. A verdade, é que pouco mais de um mês depois de chegarmos, já nos sentimos bastante em casa. A cidade é relativamente pequena e fácil de explorar. Os miúdos estão a adorar as escolinhas, a casa, os amigos e os gatos. E nós… Não diria que adoramos, mas estamos a gostar bastante. Estamos a construir um espaço simpático, a conhecer pessoas fantásticas, a criar novas rotinas e a descobrir novas receitas de gin! (Prioridades!)

Tem potencial, digo eu com frequência. E tem. Mas porra. Podia facilitar um bocadinho. Assim, tipo uma semana, uns dias vá! sem acontecer nada. Assim, a mostrar que é fixe e a deixar a malta recostar-se e apreciar a paisagem.

Mas não. Tem que haver sempre qualquer coisinha. Uma moinha qualquer, uma pedra no sapato, um queixo empinado… Vai daí, estávamos a começar a precisar de férias. E este era um daqueles fins-de-semana prolongados. E numa daquelas coincidências da vida, eis que surge uma casa para alugar não muito longe de Maputo. E estava livre. E parecia mesmo perfeita. Claro que, à boa maneira Moçambicana, a previsão dizia que o tempo ia estar fantástico antes e depois, mas não durante. Chuva. E frio. Mas não quisemos saber. E lá fomos nós! Respirar. Muito. Bem fundo. 

Carregámos o carro. Comida, toneladas dela. Jogos, muitos e variados, para os dias de chuva. Bebida, verde, branca e tinta, just in case… Fatos de banho, casacos e chinelos no pé… e lá fomos nós. E que bem que soube. A casa era óptima, tinha piscina, um cachorro doido, um barco-sofá e uma daquelas vistas de sonho directamente para o rio. E logo ali, a uns minutos de distância, a lagoa do Bilene. Linda. E deserta. 

Ufa. Que bem que soube. Respirámos muito, como se previa. E metemos as leituras em dias. E passámos horas distraídos à mesa. E cada um fez o que bem lhe apeteceu. E gargalhámos e mimámos com fartura. Regressámos bem-dispostos, de coração e pulmão cheio. Prontos para a próxima onda de pedras no sapato. E, claro, já a sonhar com futuras escapadinhas.

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Noites mal-dormidas e robots que fazem pequenos-almoços

Esta noite o Pirata decidiu que não queria dormir. Queria água. Queria papa. E mais água. E a mãe. E cereais. E iogurte. Mas afinal já não queria iogurte, apenas os cereais. E mais água. E mais mãe. Estava mortinho de sono. Mas nada que o impedisse de ficar acordado. E eram quatro. E quatro e meia. E cinco…

Mãe, sabes porque é que eu quero ir para robótica?

Já estou a ouvir coisas, pensei. Mas não. Lá estava ela à porta do quarto, com o ar mais fresco do mundo, sorriso aberto e caracóis em contra-luz. Não?, arrisquei…

Porque assim, podia fazer um robot que, quando o mano acordava, ia buscar água e fazia o pequeno-almoço, enquanto tu continuavas a dormir. Enquanto isso não acontece, vai lá dormir que eu já não tenho sono.

Sorri. Dei-lhe um beijo e um abraço. Que ideia fantástica, disse-lhe, mas vai lá descansar que isso de fazer robots precisa de muita energia.

Certo dia, um amigo dizia: Não lhe digas, mas ela é uma num milhão. E é mesmo verdade.

Quanto ao Pirata… Adormeceu lá para as cinco e meia. Ou seis. Já não sei. Entre uma mãe e um pai. Eu adormeci entretanto. Na falta de robot, não há nada que um mimo e a cama dos pais não resolva.

Sem palavras.

A menina do monte está sem palavras. Parece incrível, mas é verdade…

A menina do monte tem muitas histórias para contar. Aventuras  e desventuras de quem anda de lá para cá e de cá para lá e nunca sabe bem em que lado ficar.

Mas a menina do monte é preguiçosa. E, por isso, adiava, adiava. E é também envergonhada. E, por isso, escrevia e só consigo partilhava.

Passinho a passinho, a menina do monte lá foi mostrando o que registava. E eis que um dia lhe dizem que as histórias da menina do monte (e companhia) andavam a ser lidas por outras pessoas que andam de lá para cá e de lá para cá… em Portugal, no Cambodja, em Espanha, em Moçambique, nos Estados Unidos, no Brasil, no Reino Unido, na Irlanda, na Suiça, na Holanda, no Laos, em Macau, em Cabo Verde, nas Filipinas, na República Checa, em Malta e na Dinamarca…

Só cá entre nós, a menina do monte está assim para o pasmada…

 

Os Piratas também vão à escola

Os Piratas também vão à escola?! Claro que sim. E que contente ía este pirata a caminho da sua. 

Quem é que vai à escola? Perguntava eu… O bebé!” Exclamava.

Assim, que viu a escola, quis sair do colo ir para o chão. Um sorriso enchia-lhe a cara. Como que a dizer, é isto. É mesmo isto que eu quero. É mesmo isto que eu preciso. Amigos, brinquedos, desafios, adultos simpáticos, cores, cheiros… Tanto para descobrir, tantas aventuras à espera de acontecer…

Os meninos e as meninas ainda andavam por ali meio envergonhados. Uns mais à vontade, outros a trepar pelas pernas dos pais. Ele foi-se afastando. Olhava à volta. Explorava o espaço. Experimentou o sobe e desce e o escorrega, mas parou pouco por lá. Foi para a caixa de areia. Tirou os sapatos, pegou nos brinquedos e foi à vida dele. A ele juntou-se mais um amigo, e mais outro e outro…

O plano (da escola, claro) era hoje ser só um dia de visita. “Com a mãe, para se ir habituando”… Não querendo contrariar, mas conhecendo o Pirata, avisei que ele poderia querer ficar. Passado um pouco, ao ver o feliz que estava, perguntei-lhe: Queres ficar a brincar? A mãe volta mais tarde para te vir buscar? Sim!, respondeu ele, seguríssimo de que não havia outro sítio onde preferisse estar. E com razão. Finalmente tem uma escola. Uma escola a sério. Como teve a sua mana, nos tempos em que ainda vivíamos lá para os lados do monte. 

Pedi-lhe um beijo. Deu dois, rechonchudos, e um abraço gigante. Despedi-me da educadora, mandei-lhe um até já e sai de coração cheio… Haverá melhor forma de começar a semana?!


Nota de rodapé… Como combinado com a escola, voltei lá antes do almoço para o ir buscar. Fui recebida com um enorme abraço de mãeeeee! Perguntei-lhe se já estava na hora de ir embora, se queria vir almoçar comigo. Como esperado, recebi um redondo Nãoao! I play. Então vou-me embora, acrescentei… Leva a mão à boca, lança um beijo e diz: Bye Bye mãe. 

Caracolinhos volta à Escola

Caracolinhos volta à escola. 

Diz que vai para o terceiro ano. 

Caracolinhos volta à escola. 

Diz que vai para a terceira escola em três anos. 

Caracolinhos volta à escola. 

Diz que lá entrou pela primeira vez vai para seis anos.

Caracolinhos volta à escola.

Diz que vai ser feliz por lá durante muitos mais anos.