Lido na paisagem…

Gosto de me perder na cidade, nas ruelas, nos mercados… Virar à direita ou à esquerda quando sabemos que em frente seria o caminho certo. Ir a pé ou de tuk tuk em vez de pegar no carro…

Foi isso que fiz no outro dia… E de repente, algures em Phnom Penh, na parede duma ruela daquelas bem estreitas, lia-se assim em grandes letras pretas:

Open your eyes and dream.

Abre os olhos e sonha, em Português. Esteve quase para ser uma daquelas quase-fotografias. Aquelas que ficamos a pensar que devíamos ter tirado uma fotografia, mas não tiramos e depois ficamos a remoer sobre o assunto. Mas não. Parei o carro ali mesmo no meio da rua, sai e tirei a foto. Porque numa altura de grandes interrogações e ainda maiores transições, quando a vida nos manda recados, é melhor que os tomemos a sério.

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Para onde vamos?

Para quem anda nesta vida de caracol com a casa às costas, há sempre aquela altura do ano em que parece que toda a gente se vai embora. As pessoas chegam e partem em ciclos. Partem com o início do Verão, chegam com fim do mesmo. Entre a curiosidade de partir rumo à nova aventura e a saudade antecipada pelo que se deixa, é um momento com um sabor agridoce para quem parte e para quem fica.

Este fim-de-semana demos início a esta “época de despedidas”. Quatro no total. E uma festa de anos. No meio deste corrupio, entre uma festa e outra, fizemos uma pausa para almoçar, só os quatro. A Carolina encontra uma amiga no restaurante e vai conversar com ela.

Ficamos nós a terminar o nosso café, tranquilos, enquanto o Gabriel dorme a sesta no carrinho. De repente, chega apressada e sai-se com:

“- A seguir para onde vamos? 

– Então, ainda agora dissemos. Vamos descansar um bocadinho a casa, depois vais para a tua festa e o Gabriel vai para a dele…

– Não! Para que país!?

– Ah!… Moçambique!”

 

E pronto, também ela já entrou no frenesim…

E tudo começa aqui…

Este é um blog sobre coisas, coisas minhas, coisas que vejo, coisas que sinto. É um blog sobre mim, sobre a forma como vejo e sinto o mundo.

Muitas vezes sinto que não consigo dizer, em palavras, aquilo que me vai cá dentro e por isso, passo muito tempo, a imaginar aquilo que diria ou deveria ter dito, aquilo que escreveria se, em vez de estar ao volante do carro, a brincar com os pequenos ou a tomar duche, estivesse de facto a dizer ou a passar para o papel tudo o que a minha cabecinha fazedora de ideias consegue produzir. Conforme a inspiração e o momento, nestas alturas podem surgir histórias infantis, ideias de fantásticos projectos profissionais, metas pessoais, sonhos (muitos), memórias de menina e recordações do que ficou entre o ir e o voltar.

Já tinha há que tempos esta ideia na minha mente. O problema até aqui é que tenho dois problemas. Primeiro, uma memória de passarinho, um segundo de distracção e puff, lá vai tudo pelo ar. E, por isso, há muito, muito tempo que tinha esta ideia de começar a escrever, a registar o que vejo, o que ouço, o que sinto e o que desejo. O segundo problema, é que sou uma procrastinadora nata, e cada vez melhor na dita cuja, ao ponto de se estar a tornar intolerável (pelo menos para mim). Daí a andar a adiar, a adiar, a adiar… E tanta coisa que ficou pelo caminho. Até que hoje li uma daqueles artigos com ar de resolução de ano novo e pensei: é hoje! De hoje não passa! Não demorou dois minutos a começar (como dizia o tal artigo), mas a primeira pedra está lançada. Agora é assumir o compromisso de sentar, escrever e publicar, nem que seja uma linha, uma foto ou uma música.

Se por acaso, tropeçarem nestas linhas, sejam bem-vindos à minha história. Se gostarem, fiquem por cá e digam olá.

A menina do monte.