The Little House

The Little House

“The Little House” é um nome de um pequeno café perdido no meio de Vientiane. Não tem página no Facebook nem sítio na net. Não tem wifi nem se deixa encontrar pelo Google Maps. Aliás, dificilmente se deixa encontrar por quem não o procurar. Quem por ali passa, raramente repara que, para lá das árvores e do bambu, há uma pequena casa de madeira, sempre de portas abertas para quem quiser entrar. E ainda bem, digo eu, egoisticamente.
O espaço é simples, rustico e discreto. A dona é japonesa e talvez, por isso, seja sobretudo frequentado por japoneses. Talvez também, por isso, as empregadas se movimentem calma e silenciosamente, fazendo lembrar as gueixas dos filmes. O silêncio é apenas interrompido pelo barulho dos pássaros e pela máquina de moer o café. E que bem que cheira o café acabado de moer!…
Conheci este espaço por acaso, acabadinha de aterrar no Laos. Um dia, ao entrar de forma atabalhoada num restaurante da cidade à hora de almoço, ainda com as duas crianças atreladas a mim, ouço: “desculpe, falam português? São portugueses?”… Conversa puxa conversa e português que é português gosta de tomar café depois de almoço (e de manhã e à tarde… enfim…). Foi assim, que esse português vindo do nada me disse que me ia levar ao sítio onde serviam o melhor café da cidade. E não me enganou.
Haverá melhor forma de começar o dia do que sentar-me confortavelmente num grande ratan, a beber café e a olhar para o verde e para luz do sol que atravessa a copa das árvores e ilumina radiosamente o espaço? Melhor do que isso, só se o café fosse torrado no local. E se fosse possível escolher o tipo de torra. E melhor ainda, só se fosse moído na hora, deixando aquele fantástico aroma a café invadir o espaço. Melhor do que isso, só mesmo se o bebermos tranquilamente, enquanto o bebé dorme. Ou enquanto trocamos dois dedos de conversa com alguém que acabámos de conhecer. E o melhor, é que é mesmo assim.
É por isso que, se voltasse a encontrar este tal português lhe diria: Obrigada! E lhe diria também que o baloiço de madeira pendurado na árvore não foi feito para a filha da dona. Esse tal baloiço está ali, tal como estão as duas árvores e o caminho de entrada, porque aquela pequena casa foi inspirada no livro “The little house” de Virginia Lee Burton, escrito em 1942. Isto disse-me um menino inglês, que descobriu no meio das estantes cheias de livro em japonês, a versão em inglês do livro e a veio contar ao bebé.

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O “Dia Feliz da Mãe”

Este fim-de-semana foi dedicado ao “Dia Feliz da Mãe”, como lhe chamou a Carolina. E foi pela primeira vez uma comemoração a quatro. Eu, o pestanudo mor, a filhota e o mano (um dia hei-de falar sobre esta filha que é filha e este filho que é mano!).
E que bem que soube este Dia Feliz com sabor a Família Feliz. Porque nem sempre é fácil ter dias felizes e, por vezes, mesmo nas famílias mais fantásticas, há alturas de desequilíbrios e de desencontros. E este foi um ano particularmente turbulento, marcado por rupturas, mudanças e aprendizagens, de ilusões e desilusões, de algumas perdas e tristezas, mas também muitas alegrias e vitórias.
Por isso, este fim-de-semana do “Dia Feliz da Mãe” soube a vitória e soube a reencontro. A reencontro entre quatro pessoas de uma mesma família que, não sabendo viver umas sem as outras, andavam um pouco desencontradas. Assim, tipo, cada uma em seu país. E ainda bem. Porque viver desencontrado cansa muito. E desgasta, torna-nos rabugentos. Tira-nos daquilo que é importante. E o importante é saber rir. E saber fazer rir. E saber saborear esses momentos em família. E que bem que sabe esta família. Que bem que sabem estes filhos. Que bom que é cheirá-los e amassá-los de beijos. E senti-los felizes. E vê-los crescer. E que bom que é fazer isso tudo em conjunto. Porque só assim faz sentido.
E que bom que é chegar a casa depois de um fim-de-semana assim e poder skypar com a restante família e encontra-los igualmente felizes e reunidos do outro lado de lá. Porque ser família é assim, é estar junto estando longe, é voltar a subir, depois de cair, é reclamar e sorrir logo a seguir. É deixar andar. É gargalhar. Alto. E sem sentido. Em equipa. Porque, só assim, faz sentido.
Dia Feliz da Mãe para todas as mães.

As primeiras chuvas

As primeiras chuvas

Abril marca o final da época quente no Sudoeste Asiático. Quer isto dizer que, Abril é quente, muito, muito quente. E húmido, apesar de já não chover há mais de cinco meses. O comentário normal é: mas estás habituada ao calor do Alentejo, lá também fica tipo deserto, certo? Certo. Mas a sensação que nos traz é totalmente diferente. No Alentejo, o calor é seco e oscilante. É um calor que cresce com o dia e que se acalma com a brisa da noite. Por aqui, não há amplitude térmica. É um calor que varia entre o “que forno!” e o “estou a derreter!”, de dia e de noite. Como não chove, o sol desaparece do céu. Há uma espécie de manto no ar, de cor creme-alaranjado provocado pelas poeiras que andam no ar. Para nos protegermos tentamos de tudo, fechamo-nos em casa, ligamos o ar condicionado, bebemos litros de água e, como bons alentejanos, fazemos muitas sestas. Até porque o calor não nos permite fazer mais nada. O cérebro fica adormecido, irritadiço, do tipo “não me incomodes que agora estou a sonhar que estou nas fiji.”.
É por isso que, ao contrário do que acontece em muitos lugares do mundo, como o lugar do lado de lá onde está o monte, quando por aqui caem as primeiras chuvas, o momento é de celebração! De alegria. De repente, parece que tudo é possível. Apetece estar, finalmente, na rua. A temperatura baixou, o azul do céu voltou, as árvores estão mais verdes, os sapos cantam, os frangipanis estão em flor, as pessoas estão bem-dispostas e as borboletas andam de flor em flor. E se apanharmos um bocadinho de chuva pelo caminho, não faz mal, logo há-de secar.