Eu, o meu irmão e o 24 de Abril Sempre

Escrevi este texto a 24 de Abril de 2012. O dia em que o meu irmão faria 31 anos e o primeiro que passei longe de casa, da família e dos amigos. Hoje o meu irmão faria 35 anos e estou novamente longe. Ao acordar e dar novamente com este texto, achei que valia a pena ser de novo partilhado. Porque hoje é o seu dia. Porque tenho saudades dos seus sorrisos, da sua paixão, das suas aventuras e das nossas turras. Porque ele continua sempre connosco nas nossas memórias.

 

“Eu, o meu irmão e o 24 de Abril Sempre

Desde que me lembro de existir que sou a irmã mais velha do PuTo e também é mais ou menos desde essa altura que o fogo de artifício do 25 de Abril é, para mim, muito mais do que isso, é o momento alto do seu aniversário.

Lembro-me de quando era miúda e morávamos nas Pites e o nosso vizinho, que trabalhava na Câmara, disparava os foguetes em frente à nossa casa. Achava o máximo, que depois de cantar os parabéns, fossemos todos para a rua para ver o que na altura pouco mais era do que uns morteiros que faziam mais barulho do que outra coisa (só não percebia muito bem porque é que o meu aniversário não tinha daquelas coisas, mas enfim!). Mais tarde, mudámos de casa e os prédios em frente (ai cuquinha que nos tapaste a visão) pouco ou nada deixavam ver aquilo que começava a ser um fogo de artifício “a sério”, lançado no Jardim das Canas. Começaram então as corridas, depois de jantar e de cantar os parabéns, primeiro para a frente do teatro e depois para a Praça do Giraldo. Sim, corridas, porque por mais cedo que o jantar começasse, haveríamos sempre de chegar já ao som do primeiro morteiro (com algumas excepções em anos de bons concertos, mas sempre tarde demais para arranjar um cravo).

A verdade é que adoro fogo-de-artificio e não me lembro de um ano, de um aniversário, sem aquela explosão de cor e som. Mesmo naquele ano triste de 2004, mesmo nos anos que se seguiram, sempre fiz questão de continuar a correr para a Praça, umas vezes sozinha outras não, porque achava que ele, o meu irmão, o Puto de todos,  lá haveria de estar, a acompanhar-me, numa estrela, num foguete, num sorriso. Hoje estou longe, onde estou não há cravos e ninguém sabe o que é o 25 de Abril e, muito menos, o que é essa coisa fantástica de se ter um irmão lindo, que ainda por cima tinha a sorte de ter fogo-de-artificio só para ele. E, por isso, estou um bocadinho mais triste.

Mil beijos para sempre maninho. 24 de Abril sempre!

 

 

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24 de Abril Sempre!

24 de Abril Sempre!

Hoje é aquele dia, o teu dia. 33 anos farias tu. Em vez disso, é também o dia em que faz dez anos que vimos o fogo de artificio pela última vez. Que estupidez. Ficam para sempre as memórias de 23 anos recheados de uma energia única que marcou para sempre cada uma das pessoas com que te cruzaste. Este ano há uma energia diferente cá em casa, dois irmãos cúmplices enchem a casa de loucura, como nós fizemos em tempos. Era bom que estivéssemos todos juntos para os recordar, para te recordar. Tens uns sobrinhos lindos que vão saber que têm um tio que se chama Nuno e que vai ser PuTo para sempre. Fazes-me falta. Mil beijos de Parabéns.