Ser mãe e os momentos embaraçosos

 

Ser mãe é bom, é mesmo muito bom. Diria ainda que é muito, muito melhor do que alguma vez imaginei que poderia ser. Não sendo uma daquelas mães super babadíssimas que não fala de outra coisa senão sobre os filhos, diria que sou uma mãe babosa q.b.! Todos os dias aprendo e cresço com eles, surpreendo-me com as suas palavras novas, as suas conquistas e com a sua capacidade imensa de adaptação. Tenho um orgulho imenso de ser mãe destes dois seres fantásticos que são os meus filhos e não me canso de lhes dizer o quão fantásticos eles são. Vá lá, pronto, talvez seja um bocadinho mais babada do que pensava. Mas, depois há aqueles momentos… aqueles momentos em que gostávamos de voltar ao tempo em que eramos só nós que mandávamos nos nossos dias (sim, desenganem-se, são eles que controlam a nossa vida e não o contrário!). Ou, no caso de não haver essa hipótese de viajar no tempo, houvesse, pelo menos, um buraquinho por onde nos enfiávamos e conseguíamos sair da situação, o mais discretamente possível! Toda a gente já teve um desses momentos embaraçosos… Quem não teve que lidar com uma mega birra em que desejou desaparecer ou gritar aos quatro ventos “este filho não é meu!”? Ou quem não foi já apanhado num momento mais ou menos desconfortável pela total ausência de filtro da criança, tipo “mãe, preciso fazer cocó!!!” gritado em altos berros num avião cheio de portugueses e em plena descolagem? Ah… pois é! Ficava aqui o dia todo! Mas podemos ficar-nos só pelo mais recente, o desta manhã.
Depois de deixar a Carolina na escola, fui com o Gabriel, a um café japonês, chamado “My little house”. Simples, tranquilo e com um café óptimo, moído e torrado no local, é um dos meus sítios preferidos em Vientiane. Quando chegámos, ele dormia. E assim ficou enquanto bebi o café. Depois acordou, mamou e ali ficámos na brincadeira. Até que esta mãe se lembra de brincar ao bebé-avião. Há algum bebé que não delire com o ser levantado e ficar a planar por cima da cabeça dos pais? Nenhum, claro! E tudo corria bem, eu levantava-o, ele gargalhava e as senhoras atrás do balcão riam baixinho. Até que… de repente deixo de ver! E a minha blusa fica subitamente molhada. Sim, de um momento para o outro, os meus óculos e a minha roupa ficaram cobertos com restos de leite processado do Gabriel. E agora?! Pego na fralda e tento limpar. Impossível. Olho em volta… à boa maneira asiática, toda a gente desapareceu. Apenas uma empregada continua a fazer café como se não se passasse nada. Corro para a casa-de-banho, tento lavar a roupa. Fico ensopada. Meto a fralda por cima. Volto para o sofá, sorrio, bebo água, tento continuar como se não fosse nada. Espero que não apareça ninguém conhecido, penso… Volto ao computador, ele volta à brincadeira. Mas e o cheiro… Não havia nada a fazer e lá voltámos para casa, ele novamente a dormir e eu ficando cada vez mais calma. E a pensar que, ninguém nos diz, mas ser mãe também é querer ser uma avestruz e poder enfiar a cabeça da areia, só assim de vez em quando.

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O “Dia Feliz da Mãe”

Este fim-de-semana foi dedicado ao “Dia Feliz da Mãe”, como lhe chamou a Carolina. E foi pela primeira vez uma comemoração a quatro. Eu, o pestanudo mor, a filhota e o mano (um dia hei-de falar sobre esta filha que é filha e este filho que é mano!).
E que bem que soube este Dia Feliz com sabor a Família Feliz. Porque nem sempre é fácil ter dias felizes e, por vezes, mesmo nas famílias mais fantásticas, há alturas de desequilíbrios e de desencontros. E este foi um ano particularmente turbulento, marcado por rupturas, mudanças e aprendizagens, de ilusões e desilusões, de algumas perdas e tristezas, mas também muitas alegrias e vitórias.
Por isso, este fim-de-semana do “Dia Feliz da Mãe” soube a vitória e soube a reencontro. A reencontro entre quatro pessoas de uma mesma família que, não sabendo viver umas sem as outras, andavam um pouco desencontradas. Assim, tipo, cada uma em seu país. E ainda bem. Porque viver desencontrado cansa muito. E desgasta, torna-nos rabugentos. Tira-nos daquilo que é importante. E o importante é saber rir. E saber fazer rir. E saber saborear esses momentos em família. E que bem que sabe esta família. Que bem que sabem estes filhos. Que bom que é cheirá-los e amassá-los de beijos. E senti-los felizes. E vê-los crescer. E que bom que é fazer isso tudo em conjunto. Porque só assim faz sentido.
E que bom que é chegar a casa depois de um fim-de-semana assim e poder skypar com a restante família e encontra-los igualmente felizes e reunidos do outro lado de lá. Porque ser família é assim, é estar junto estando longe, é voltar a subir, depois de cair, é reclamar e sorrir logo a seguir. É deixar andar. É gargalhar. Alto. E sem sentido. Em equipa. Porque, só assim, faz sentido.
Dia Feliz da Mãe para todas as mães.

As primeiras chuvas

As primeiras chuvas

Abril marca o final da época quente no Sudoeste Asiático. Quer isto dizer que, Abril é quente, muito, muito quente. E húmido, apesar de já não chover há mais de cinco meses. O comentário normal é: mas estás habituada ao calor do Alentejo, lá também fica tipo deserto, certo? Certo. Mas a sensação que nos traz é totalmente diferente. No Alentejo, o calor é seco e oscilante. É um calor que cresce com o dia e que se acalma com a brisa da noite. Por aqui, não há amplitude térmica. É um calor que varia entre o “que forno!” e o “estou a derreter!”, de dia e de noite. Como não chove, o sol desaparece do céu. Há uma espécie de manto no ar, de cor creme-alaranjado provocado pelas poeiras que andam no ar. Para nos protegermos tentamos de tudo, fechamo-nos em casa, ligamos o ar condicionado, bebemos litros de água e, como bons alentejanos, fazemos muitas sestas. Até porque o calor não nos permite fazer mais nada. O cérebro fica adormecido, irritadiço, do tipo “não me incomodes que agora estou a sonhar que estou nas fiji.”.
É por isso que, ao contrário do que acontece em muitos lugares do mundo, como o lugar do lado de lá onde está o monte, quando por aqui caem as primeiras chuvas, o momento é de celebração! De alegria. De repente, parece que tudo é possível. Apetece estar, finalmente, na rua. A temperatura baixou, o azul do céu voltou, as árvores estão mais verdes, os sapos cantam, os frangipanis estão em flor, as pessoas estão bem-dispostas e as borboletas andam de flor em flor. E se apanharmos um bocadinho de chuva pelo caminho, não faz mal, logo há-de secar.

Uma coisa muito importante chamada Liberdade

Uma coisa muito importante chamada Liberdade

Quando era pequenina, muito pequenina, vivi numa casa também muito pequenina a que chamava a “Casa das Bonecas”. O meu quarto nessa casa, era também muito pequenino, mas lá tinha vivido antes de mim, uma pessoa muito muito grande, o meu pai. Ora, o meu pai tinha forrado a porta do quarto a autocolantes. Centenas de autocolantes, de todas as cores e muitas palavras complicadas para gente pequenina. Mas esta imagem marcava muitos deles, uma criança, uma arma e um cravo. O meu pai que era muito grande dizia que todos eles falavam de uma coisa muito importante chamada Liberdade.
Feliz 25 de Abril para todos.

24 de Abril Sempre!

24 de Abril Sempre!

Hoje é aquele dia, o teu dia. 33 anos farias tu. Em vez disso, é também o dia em que faz dez anos que vimos o fogo de artificio pela última vez. Que estupidez. Ficam para sempre as memórias de 23 anos recheados de uma energia única que marcou para sempre cada uma das pessoas com que te cruzaste. Este ano há uma energia diferente cá em casa, dois irmãos cúmplices enchem a casa de loucura, como nós fizemos em tempos. Era bom que estivéssemos todos juntos para os recordar, para te recordar. Tens uns sobrinhos lindos que vão saber que têm um tio que se chama Nuno e que vai ser PuTo para sempre. Fazes-me falta. Mil beijos de Parabéns.